- Como estás linda! -São os teus óculos! |
Blog de Eduardo Sejanes Cezimbra para escrever sobre a vida, rascunhando impressões, como se manuscrito com caneta-tinteiro e mata-borrão. "Escrevo porque preciso, publico porque amo."
- Sou do Alegrete, nascido e criado lá, mas moro há muito tempo em Porto Alegre - acostumei a responder dessa forma.
Poderia até complementar assim, de forma picaresca: - Do Alegrete para o Porto Alegre!
Navegando pelo Pampa...
O Pampa parece um mar verdejante onde as ondas são as coxilhas que o vento Minuano agita.
São léguas e léguas cruzando o Pampa, do Alegrete até Porto Alegre.
Vou no vapor de rodas cruzando o Pampa aberto e a vista é larga.
Talvez pelas lonjuras o lugar foi batizado de Alegrete, um movimento "allegro ma non troppo".
Enfim, hoje, até posso me apresentar como um porto-alegretense...
Porto Alegre, 9 de março de 2021.
Imagem: cena de Anahy de las Misiones, Google
Edu Cezimbra
Em todos os caminhos
Por tantos cruzamentos
Há muitos descaminhos
Para quem em movimento.
Só não se desencaminha
Quem na vida estaciona
Quem na vida não caminha
Para não sair da poltrona.
Eia! tire a bunda do sofá
Remova toda a poeira
Vai pra luta arejar
Pra sacudir a roseira!
Porto Alegre, 8 de março de 2021.
Imagem: Pinterest
Edu Cezimbra
O "fuca" era azul celeste, "novo modelo" ano 70.
Carrinho comprado com a venda da Rural.
Ficou com meus pais até ser roubado na década de 90.
Quarentas anos de Fusca!
Lembrava da anedota das botas do gaúcho.
- Segue nova, patrão, troquei o cano, o pé e a sola.
O fusca trocara o motor, partes da carroceria, sinaleiras, até a cor.
O fusca de meus pais era uma máquina do tempo.
Entrar nele era voltar à infância, adolescência e juventude adulta.
Nele aprendi a dirigir, a namorar e até minhas filhas foram passear com o avô.
Também tive um fusca, não era muito cuidado como os do meus pais, embora viajado...
Vendi depois de um tempo de uso para um amigo, que para minha surpresa recuperou o fusca caindo os pedaços.
Veja como são as coisa: ficou igualzinho ao fusca de meus pais.
Até hoje, depois de mais de 50 anos, ainda viajo no tempo ao ver um fusca rodando...
Isso é possível, ainda, no Brasil do século 21, como se estivéssemos nos anos 60.
Porto Alegre, 7 de março de 2021.
Imagem: Fusca do Mujica, Google
Edu Cezimbra
Lua Cheia
Guia estrelas cadentes
Farol do céu
Porto Alegre, 6 de março de 2021.
Imagem: Google
Edu Cezimbra
Criança é muito crédula, muito impressionável.
Ouve uma notícia no rádio e já fica toda apavorada.
- Hanói, bombardeiros americanos lançaram toneladas de bombas de napalm em Hanói.
A reação instintiva do menino de cinco anos era tapar a cabeça com o lençol ou ir para baixo da cama mesmo.
- Paiê, Hanói fica perto daqui?
- Não, filho, fica bem longe daqui...
A primeira vez que o menino foi ao cinema chorou muito, com pena do personagem atrapalhado.
Era uma comédia e todos riam das trapalhadas, só o menino chorava...
- Não chora, guri, deixa de ser fiasquento! - dizia a tia do menino.
Criança é muito empática. Ainda não endureceu com os golpes cruéis da vida adulta.
Outra coisa, adulto adora pregar sustos nas crianças.
O menino não queria comer e lá vinha uma mão preta e com garras compridas bater na alta janela basculante da cozinha.
- Criança que não come vira comida da Mão Preta, ameaçava o pai.
Uma noite a Mão Preta apareceu e mostrou um braço fino e amarelo com marcas milimétricas.
- É o metro do armazém - cochichou meu esperto irmão mais novo.
Após uma investigação foi resolvido o "mistério": a "Mão Preta" era a pata seca de um bicho do mato...
Aqui para nós, nem com a Mão Preta o menino comia...
O menino cresceu, perdeu os medos infantis, mas por precaução não ouve as notícias no rádio nem na TV.
Prefere a literatura, mais verossímil...
Porto Alegre, 4 de março de 2021.
Imagem:Mapinguari, Google
Edu Cezimbra
De muitas coisas mais lhe quis a vida
Fazer mais e mais com muito esmero,
Sem medidas, destarte sempre desmedida
Para lutar contra todo e tanto desespero.
Dessa vida coube-lhe a parte mais difícil
Sem postergar para depois a partida,
Com a cavalaria, empunhando o fuzil
À bandoleira, marchou, arriscando sua vida.
Por andar de canto em canto por todo Brasil
Foi guiando a Coluna Prestes em luta varonil
Sem economizar gota do precioso combustível
De seu sangue e seu frágil corpo perecível.
Em que pese suas atrozes dores não sucumbiu,
Foi deixando sua marca lendária e inesquecível.
Porto Alegre, 3 de março de 2021.
Imagem: Coluna Prestes, Portinari, Google
Edu Cezimbra
Dona Divergência é comunista.
Por muito comum, por estar em toda parte, não entenda mal...
Dita de outra forma: humana,demasiada humana.
Atua sempre usando palavras motivadoras.
- Precisamos nos unir, senão...
Ultimamente tem se valido de hashtags, infalível!
Incontáveis. A cada hashtag a favor logo aparece outra divergindo.
Dona Divergência é muito velha, ainda usa um archote para semear a Discórdia, sua cultuada deusa.
É um archote, mas não ilumina. Incendiário é o que ele é...
Não falta combustível.
A disputa é um rastilho de pólvora que explode a bomba atômica da cizânia.
Pois Dona Divergência é perita em explosões passionais.
- Espelho, espelho meu, há alguém mais belo do que eu?
- Sim, candidato...
Pronto, mais uma disputa de beleza para gáudio de Dona Divergência!
Dona Divergência tem uma irmã chamada Dona Convergência.
Inacreditável, mas se dão muito bem, trocando figurinhas e preenchendo suas coleções de figurões...
Porto Alegre, 2 de março de 2021.
Imagem: BBC, Google
Edu Cezimbra