terça-feira, 1 de outubro de 2019

Utopia Planetária


A humanidade conseguiu salvar a Terra e, consequentemente, a si mesma, ou, se quiser, de si mesma.

Acabaram-se as guerras, os políticos, os sacerdotes, advogados, enfim, todas as profissões criadoras de conflito.

O dinheiro tornou-se desnecessário devido a economia baseada em recursos.

Ciência e tecnologia são compartilhadas com todos os seres humanos.

Os computadores garantem todos as necessidades humanas e, mais, governam a sociedade através do planejamento econômico.

Como toda utopia que se projeta, esta não admite ser chamada de utopia, também não tem ideologia, embora tenha respostas prontas para todos os questionamentos.

A democracia e a liberdade são ficções ou utopias para o idealizador da Utopia Planetária.

A bandeira positivista da "Ordem e Progresso" foi substituída por "Organização e Planejamento" e tudo funciona perfeitamente segundo a metáfora corporal: o cérebro não faz assembleia quando tem que tratar uma infecção no pé...

Como toda sociedade perfeita, os seus membros são perfeccionistas, muito racionais, mas há uma questão que não foi respondida.

O que fizeram da alma humana, esta que só aparece no caos?

Ou seria uma sociedade desalmada, tediosa e anômica,  esta da "Utopia Planetária"?

Porto Alegre, 1º de outubro de 2019.

Imagem: Google

Edu Cezimbra


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Setembrinas


Dias ensolarados como este não são previstos pelos meteorologistas, e sim pelos poetas.
*
Que coincidência, cada vez que o Bolsonaro cai, entra na faca.
*
Assembleia não tem mais acento, - então que se faça "dimpé", dirá um ministro do Bolsonaro.
*
No Brasil não tem mais "raposa cuidando do galinheiro". 
-Agora é miliciano.
*
Depois do Roda Viva com o Glenn, a conclusão óbvia é que tem jornalistas bancando os procuradores do MP.
*
Já tem humorista chamando de burros os jornalistas que interrogaram o Glenn. 
- Que é isso, gente, vamos respeitar os animais!
*
Em outro país já tinham saqueado o supermercado que chicoteou o adolescente negro por pegar um chocolate.
*
Eco-nomia, leis perenes dos ecossistemas, respeitadas pelos índios, que se descumpridas causam desastres ambientais irreparáveis.
*
Bolsonaro, assustando as criancinhas: 
"O PT pode voltar"...
*
Com o Bolsonaro, empresários podem explorar à vontade os trabalhadores, só faltam os consumidores para serem totalmente felizes...
*
O Bolsonaro conseguiu em 8 meses de desgoverno: #VoltaPT em 1º lugar nos TTs do Twitter.
*
Em tempos de pós-verdade, a mentira tem pernas curtas, mas é maratonista.
*
A cirurgia do Bolsonaro vai afastá-lo do cago por 10 dias, qual o título do livro? 
10 dias que despoluiram o mundo.
*
Um dia de sol é um dia de soltura...
*
Luta de classe: só a classe média derrota a classe média.
*
Céu nublado. 
O sol é uma lâmpada de ninar bebês.
*
Se não fosse a Globo e Globo News como fonte de informação, o que nós, reles mortais ignorantes, saberíamos? Por exemplo, aprendi que o 11/09/2001 foi o maior atentado terrorista da História. E eu que pensava, na minha pouca sabedoria, que o maior eram as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. Mas, claro que 220 mil japoneses que morreram na explosão (sem contar os que morreram pela radiação) são menos que os 2.996 americanos que morreram nas Torres Gêmeas. Sem esquecer o terrorismo de estado que vitimou 50.000 pessoas no Chile, após o golpe de estado de Pinochet contra o Presidente Salvador Allende, eleito democraticamente.
*
"Ouviram das pitangas as margens flácidas"...
*
Não deixe que o Bolsonaro separe sua família. Tecle #LulaLivreJá
*
Discurso do Ernesto Araújo nos EUA, em uma palavra: "FEBEAPÁ" .
*
O Rio tem margens flácidas e espraiadas por todo o Brasil.
*
Se as pessoas cuidassem da saúde como cuidam do carro novo iriam diminuir significativamente os índices de mortalidade.
*
Tenha um namorado que olhe pra ti como o jardineiro olha pro seu jardim.
*
Cadê o Ciro Gomes? - O Cirinho engomou a mágoa pensando que perdeu pro Haddad, na verdade perdeu pro Bozo.
*
Quem não deve não Temer...
*
Fatos são flatos quando cercados por fake news.
*
O Roda Viva redundante ouve a confissão do Temer: 
-Foi golpe...
*
Bolsonaro será alvo de protestos unânimes na ONU; Taí, confirmado o dito: Toda unanimidade é burra.
*
Quem perde a esperança perde junto seus grilhões.
*
Pior que viúva da ditadura é viúva da escravatura.
*
O respeito é um amor que vem do peito...
*
Depois do "vai pra Cuba", vem aí "vai pro Brasil"...
*
Quem tem rabo preso acaba mordendo o próprio rabo.
*
Culpar o Lula e a Dilma é coisa de incompetente, agora, culpar o Brizola é coisa de louco.
*
Em terra de ladrão 
quem não rouba 
não tem perdão.
*
A justiça falha quando tarda.
*
Discurso do Bozo na ONU: 
- Trump isso daí táokey?
*
Depois do discurso do Bozo na ONU:
- Contra fascistas não há argumentos.
*
Núcleo duro de apoio ao Bolsonaro informa: "Onde oviu azar do goleiro, ouva azar do povo brasileiro."
*

Escrever corretamente aprende-se com a gramática
- escrever bem, com a literatura.
*
No Brasil, revelar a verdade é crime, assim como ajudar os pobres. 
- Que o digam Glenn e Lula.
*
Primavera tarda 
Mas não falha
Canto dos sábias
Brotarão os bambus
*
O batismo do fanático é no raso, senão ele se afoga na profundeza da consciência.
*
Jânio, Collor e Bozo são uns falastrões: Jânio falava difícil, Collor achava que falava espanhol e o Bozo só fala merda.

Facebook, setembro de 2019.

Charge: Latuff

Edu Cezimbra


sábado, 28 de setembro de 2019

Brotação


Porto Alegre, 28 de setembro de 2019.

Imagem: Pinteres

Design: Canva

Edu Cezimbra

Esses índios aí

Garantir a terra e a sobrevivência desses índios é aumentar a riqueza da experiência humana. A deles e a nossa. E, mesmo que não fosse, mesmo que "esses índios aí" não pudessem trazer nada de bom para nós, ainda mereceriam as reservas. Porque eles existem. Simples assim.(Antonio Prata)
Se pudermos alcançar, minimamente, que seja, o que significa para a identidade brasileira a herança dos nossos índios pararíamos de imediato com tudo o que estamos fazendo aos nossos povos indígenas.

E mais, se você fosse índio e sentisse na carne tudo o que estão fazendo a esses povos e a sua terra sagrada?

Talvez, nem precisasse ser um índio. Basta ser alguém que pense grande , com o coração e a mente, sobre a relevância deste tema para os destinos do nosso país e de nossa gente. Como assim, pergunta você, talvez intrigado com a minha colocação aparentemente exagerada.

Coloco, então, da seguinte forma: e se esses povos possuíssem segredos que, se revelados, mudassem para melhor, o rumo de nosso país?

Algo que nos destacasse e diferenciasse no concerto das nações...

Pois é, acontece que os nossos povos indígenas, de fato, guardam algumas informações valiosas para nós. Especialmente no que diz respeito à nossa capacidade de sobrevivermos nas próximas décadas

Começa pela maneira que estes povos tratam a terra onde vivem. Nestes lugares a mata está em pé, povoada por pássaros, animais e peixes em abundância.

Até um tempo atrás. você poderia pensar. “eu com isso?!”...

Acontece que a preservação de uma floresta nos diz respeito, e muito mais do que muita gente boa imagina, embora possa sentir na pele e no bolso os efeitos da mudança climática.

Por isso, e muito mais, "esses índios aí" merecem viver!



Porto Alegre, 28 de setembro de 2019.

Imagem: Save the Amazônia

Edu Cezimbra

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Os poderosos e os desapoderados


Após ler trechos de Platão e Maquiavel fico me perguntando se existirá um paralelo entre a República de Platão e o Príncipe de Maquiavel com o 1984 de Orwell e o Admirável Mundo Novo de Huxley.

Na República, Platão advoga um rei-filósofo com amplos poderes e Orwell descreve um ditador com controle absoluto no longínquo (para ele) 1984.

Maquiavel conta como se governa em seu tempo histórico e Huxley como se governará no futuro.

Em Platão e Maquiavel, o foco é nos poderosos de suas respectivas épocas; em Orwell e Huxley nos desapoderados.

Se paralelo há, está oculto, já percebeu o meu raro e atento leitor...

No passado de Platão e Maquiavel, os poderosos eram conhecidos e os escravizados eram ignorados.

No futuro de Orwell e Huxley, os escravizados são conhecidos e os "donos do poder" permanecem ocultos.

Enfim, a história entre os poderosos e os sem-poderes ou desapoderados se repete sem paralelo.

Já dizem os assessores dos poderosos: "os tempos são outros".

O estado deve permanecer mínimo para a maioria e máximo para poucos...

Porto Alegre, 27 de setembro de 2019.

Imagem: cena de Ricardo III, Google

Edu Cezimbra


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Paixão e Paz


         "A paz é impossível, mas o amor é eterno."
Ruben Dario, poeta nicaraguense, autor deste antológico verso, sabia o que cantava por conhecer a espécie humana.

"A paixão pela guerra deve ser trocada pela paixão pela paz", afirmou apaixonadamente um ex-soldado do exército nazista depois de passar por aulas de democracia.

 As aulas foram ministradas  pelos ocupantes do seu país, após a derrota na Segunda Guerra Mundial, determinados a apagar a memória do nazismo nestes jovens soldados oriundos da juventude hitlerista.

Como sabem todos os apaixonados, é muito difícil manter-se em paz quando dominados por este confuso sentimento...

Fernando Pessoa, outro poeta genial, oferece outra pista sobre esta condição anímica por excelência, neste verso: "A alma não tem calma".

A paixão entra em guerra com a paz, digo em prosa. 

Para estar em paz é preciso não estar apaixonado, compreende-se aqui o verso de Dario: "A paz é impossível" pois o homem é um eterno apaixonado.

- Porque tem alma, - diria Pessoa.

- E o amor é eterno, - emendaria Dario...


Porto Alegre, 25 de setembro de 2019.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Aos poucos poetas


Ao ditame da ditadura
Há a demora da democracia

Ao discricionário da disciplina
Há a curva da curiosidade

Ao rigor da realidade
Há a urgência da utopia

Ao peso do pesadelo
Há a suavidade do sonho

Aos muitos medrosos
Há poucos poetas




Porto Alegre, 24 de setembro de 2019.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Escombras



Não é um assombro que os governos, de tempos em tempos, dediquem-se a "criar" escombros?

A empresa estatal criada para gerar escombros no Brasil poderia ser chamada de "Escombras", imitando a Petrobras.

Assim como temos empresas de petróleo, a "Escombras" é uma empresa de "Guerra S.A.".

Hoje, suas armas são a caneta BIC, decretos e processos judiciais totalitariamente inconstitucionais.

Como todo monopólio, a "Escombras" não admite a concorrência de "construtoras".

Os fieis funcionários da "nova" empresa estatal não são selecionados por concurso público, muito menos por pertencerem a uma oposição política democrática.

Nada disso, para este tipo de empresa é preciso empregar parentes próximos e "soldados" devotados a uma "guerra santa" contra os inimigos da religião.

São inimigos mortais de qualquer ideologia que não seja a sua.

Negam que são movidos por uma ideologia, aliás abominam qualquer lógica, são pré-modernos, arcaicos mesmo. 

Quando invasores querem dominar uma nação, a primeira coisa que fazem é a demolição das  obras principais desta civilização.

Depois de uma guerra total o que sobra para um povo é a miséria absoluta.

A história ensina que alguns povos conseguem escapar dos escombros de uma guerra, com ajuda externa.

Muitos "escapam" por meio da alienação mental e política. Estes tornam-se escombros ambulantes...

Porto Alegre, 23 de setembro de 2019.

Imagem: 

Edu Cezimbra