Pergunto por ti
Respondo por mim
Sinto por nós
Porto Alegre, 3 de fevereiro de 2022.
Imagem: Pinterest
Edu Cezimbra
Blog de Eduardo Sejanes Cezimbra para escrever sobre a vida, rascunhando impressões, como se manuscrito com caneta-tinteiro e mata-borrão. "Escrevo porque preciso, publico porque amo."
Pergunto por ti
Respondo por mim
Sinto por nós
Porto Alegre, 3 de fevereiro de 2022.
Imagem: Pinterest
Edu Cezimbra
Recebemos carta da Associação Internacional dos Direitos Suínos com o seguinte conteúdo:
Vimos por meio desta protestar veementemente contra a associação espúria, infame e especista dos porcos com o presidente farofeiro.
Nós, porcos, somos animais limpos e cheirosos quando criados livres ao invés dos chiqueiros imundos dos humanos.
O presidente farofeiro, sim, tem seu chiqueirinho palaciano onde defeca seus excrementos diários conspurcando suas funções.
Nós, porcos, sabemos nos comportar em público e comemos em nossos cochos sem derramar a farofa.
As cenas patétcas do presidente farofeiro não nos representam.
Os humanos precisam atualizar suas associações e parar de projetar seus defeitos em nós, porcos.
Falta de decoro, de educação e de civilidade são características de alguns humanos, não todos, felizmente.
Nós, porcos, somos animais inteligentes e sensíveis que amamos nossos filhotes e a natureza, portanto, mais respeito!
Assinado: Porcino Leitão, Presidente da PIG Brasil: Associação Internacional dos Direitos Suínos.
Vai caindo lento feito balão de gás.
Os velhos costumavam chamar arrebol
O que os jovens veem tão só como fugaz.
Ergue-se a primeira estrela no céu
Enquanto as sombras da noite escura
Apagam aos poucos a luz com seu véu
E a lua espera paciente e casta a sua hora.
Surge no céu inesperada e bela, com surpresa,
Causando paixões nos inocentes namorados,
Mexendo marés emotivas com a delicadeza
De quem na companhia de constelações
Rege destinos pelo zodíaco traçados
Por emoções que arrebatam os corações.
Porto Alegre, 1º de fevereiro de 2020.
Imagem: Jack Savage, Facebook
Edu Cezimbra
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Não nos deixeis cair em tentação, livrai-nos da abstinência!
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O céu se pinta de rosa para receber as estrelas e a água do lago segue a moda formando um belo casal.
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Quando a pessoa não sabe que não vê, não sabe que é cega, já disse Paul Veyne - pior é quem se finge de cego pra negar o que vê.
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Todos querem sombra e água fresca, poucos plantam árvores...
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O Naruto é de Tóquio; já em Brasília tem o Cocoruto.
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- Quem é vivo sempre aparece! - diz o céu nublado ao sol, que dá o ar de sua graça afinal.
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Pra alegrar o netinho: Guadua, tu sabes que o vovô é brincaleão (imitando o leão da Metro).
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Chuva de formar Cataratas do Iguaçu por todo lado, isso é que é chover no molhado!
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Queiroga falou que Michelle Bolsonaro é a mãe de todos os brasileiros, que filho da mãe!
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Uma fruta não cai longe do pé, assim como folhas, flores, sementes e até a própria árvore.
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Aqui jaz um negacionista.
Não era tarado por vacina.
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Não agrida a natureza para não ser agredido.
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"Não olhe para cima" ou "não olhe para o clima"?
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Não gosta de polarização quem não polariza a atenção.
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Gosto tanto de estar comigo mesmo que até vou me clonar!
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Com este calorão não dá pra reclamar de um balde de água fria na cabeça.
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Com este calorão só não esquenta a cabeça quem se joga um balde de água fria.
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Certos evangélicos que encontraram Jesus devem ter levado umas boas relhadas.
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Forno Alegre virou Bafo Alegre, prenúncio de temporal...
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Chuvarada em Forno Alegre. Bastante água fria na fervura!
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Mais vale um ar fresco do que dois refrescos.
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Depois da tempestade vem o resfriado.
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Não guarde todos os ovos na mesma cesta, e, mais importante, não mate a galinha depois.
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Caem as folhas secas pra árvore não cair.
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Facebook, janeiro de 2022.
Charge: Latuff, Jornalistas Livres
Edu Cezimbra
Silenciosos passos na trilha
Corações se fazem ouvir
No encontro de abraços.
Árovores e pássaros
Se juntam às gentes
Pra falar da vida.
A natureza silenciosa
Escuta suas vozes com
A eloquência do silêncio.
Porto Alegre, 30 de janeiro de 2022.
Imagem: arquivo pessoal, Facebook
Edu Cezimbra
| Um dos membros do bando volta à "cena do crime" 50 anos depois. |
O bando ia até a Banda Oriental do Uruguai fazer contrabando.
Embarcavam em um espaçoso e possante Simca Chambord e se metiam pelo Pampa aberto rumo ao Quaraí, sempre por estradas vicinais.
- Pra fugir da fiscalização - dizia o chefe do bando.
Os outros membros do bando concordavam admirados com tanta astúcia.
E lá ia o velho Simca levantando pedra e poeira pelas estradinhas estreitas do interior gaúcho.
Havia paradas estratégicas para molhar os pés e as caras e arrefecer o calor do verão.
Ao chegarem próximo da fronteira retornavam à "carreteira" para adentrar na cidade.
Era tenso cruzar a ponte internacional porque havia as alfândegas brasileira e uruguaia para encarar.
Artigas, cidade uruguaia, era onde se comprava o contrabando.
Enchiam o bagageiro grande do carro com cerveja e carne uruguaias e de sobremesa traziam alfajores.
Também não podiam faltar as "galletas", as saborosas bolachinhas, e um "dulce de leche", para o lanche da volta para o Alegrete.
Apesar de todos os cuidados do chefe do bando eram parados pela fiscalização estadual.
Era preciso aliviar o bagageiro de algumas "Norteñas" para seguir a viagem com o resto do contrabando.
De volta para a base, o bando de contrabandistas comemorava com uma boa churrascada e algumas "Norteñas" puro malte.
Mais que uma contravenção era uma diversão para os membros do bando, composto pelos tios, os primos e os sobrinhos, o contrabando na Banda Oriental do Uruguai, nas férias escolares de verão!
Porto Alegre, 29 de janeiro de 2022.
Imagem: arquivo pessoal
Edu Cezimbra
Filmes de ficção científica tem poder de profecia como já vimos em muitos casos.
No caso de "Lunar" o dom é de uma profecia autorrealizada.
O filme, em outras palavras, poderia ser ambientado na Terra, que mesmo assim não perderia seu caráter, embora com tintas distópicas.
Senão vejamos: uma pessoa isolada, seja na Lua ou na Terra, começa a falar consigo mesma.
A solidão pós-moderna é lunática, logo o personagem começa a alucinar.
A alucinação, seja onde for, é causada pela alta tecnologia.
Ou alguém que fala com um robô não estaria alucinando?
Ficar preso em um compartimento asséptico é ou não é típico de uma pessoa doente?
A esperança de sair do isolamento vira uma espera neurótica.
O filme é uma metáfora da atual condição humana.
Estamos, cada um, numa bolha, cercados por aparelhos eletrônicos, mas sem comunicação uns com os outros.
As corporações tomaram conta e fazem o que bem entendem com as pessoas ou planeta.
O operário foi clonado e o exército industrial de reserva engavetado.
O recado de "Lunar" é panfletário: volte pra Terra!
Porto Alegre, 27 de janeiro de 2022.
Imagem: cartaz do filme, Google
Edu Cezimbra
Os mortos tem o perdão do esquecimento
obtendo, assim, o descanso eterno.
A eternidade não julga,
contemporiza.
Porto Alegre, 26 de janeiro de 2022.
Imagem: Banksy, Google
Edu Cezimbra
Dona Maroca conhecia pobre só pelo cheiro.
A pessoa chegava perto e ela já farejava a pobreza.
Era um bingo atrás do outro.
-Esse é pobre, cheira a fumaça de lenha, não tem fogão a gás.
O pobre já descia vários degraus na escala social de Dona Maroca só pelo cheiro da fumaça.
Essa senhora de classe média já era uma feliz proprietária de um flamante fogão a gás, quatro bocas e um forno, que pilotava com desenvoltura.
Isso foi há muito tempo atrás, quando começava a industrialização brasileira e o fogão a gás era símbolo de prosperidade.
Pobre não tinha acesso a estes bens de consumo e seguia sem aproveitar os confortos da modernização.
O tempo passou. Dona Maroca não conseguia mais farejar um pobre pelo cheiro.
Até esqueceu do "talento"...
Afinal. o fogão a gás ficou acessível para todas as classes sociais, junto com a geladeira, a TV e o carro.
De uns três anos para cá, Dona Maroca começou, de novo, a sentir "cheiro de pobre".
Não sabia o motivo e foi perguntar para o marido, Seu Juvenal.
- Juju, é só impressão minha, ou os pobres voltaram a cheirar a fumaça?
- Não é impressão, não, Maroquinha. É por causa do preço do gás, muito caro, por isso os pobres foram obrigados a cozinhar com lenha, isso quando tem comida .
- De volta ao fogão a lenha, então. Eu detesto aquele cheiro de fumaça pela casa toda.
- Não, Maroquinha, agora é no fogo de chão que as pessoas estão cozinhando - corrigiu o Seu Juvenal.
- Meus Deus, quanta pobreza, que miséria, mas, também, não querem trabalhar! - concluiu Dona Maroca, pondo uma lasanha congelada no seu micro-ondas.
Seu Juvenal fez que não ouviu o comentário da mulher, ia começar o futebol.
Porto Alegre, 25 de janeiro de 2022.
Imagem:Renina Katz, Google
Edu Cezimbra