quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Monólogo


 

Pergunto por ti

Respondo por mim

Sinto por nós


Porto Alegre, 3 de fevereiro de 2022.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

O Porco e o Farofeiro


Correio do Bicho

Recebemos carta da  Associação Internacional dos Direitos Suínos com o seguinte conteúdo:

Vimos por meio desta protestar veementemente contra a associação espúria, infame e especista dos porcos com o presidente farofeiro.

Nós, porcos, somos animais limpos e cheirosos quando criados livres ao invés dos chiqueiros imundos dos humanos.

O presidente farofeiro, sim, tem seu chiqueirinho palaciano onde defeca seus excrementos diários conspurcando suas funções.

Nós, porcos, sabemos nos comportar em público e comemos em nossos cochos sem derramar a farofa.

As cenas patétcas do presidente farofeiro não nos representam. 

Os humanos precisam atualizar suas associações e parar de projetar seus defeitos em nós, porcos.

Falta de decoro, de educação e de civilidade são características de alguns humanos, não todos, felizmente.

Nós, porcos, somos animais inteligentes e sensíveis que amamos nossos filhotes e a natureza, portanto, mais respeito! 

Assinado: Porcino Leitão, Presidente da PIG Brasil: Associação Internacional dos Direitos Suínos. 


Porto Alegre, 2 de fevereiro de 2022.

Charge: Leandro Franco,  Facebook

Edu Cezimbra
 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Emoções

 


Ao cair da tarde quem decai é o sol,

Vai caindo lento feito balão de gás.

Os velhos costumavam chamar arrebol

O que os jovens veem tão só como fugaz. 


Ergue-se a primeira estrela no céu

Enquanto as sombras da noite escura

Apagam aos poucos a luz com seu véu

E a lua espera paciente e casta a sua hora.

 

Surge no céu  inesperada e bela, com surpresa,

Causando paixões  nos inocentes namorados,

Mexendo marés emotivas com a delicadeza


De quem na companhia de constelações

Rege  destinos pelo zodíaco traçados

Por emoções que arrebatam os corações.



Porto Alegre, 1º de fevereiro de 2020.

Imagem: Jack Savage, Facebook

Edu Cezimbra

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

As Malditas de Janeiro



*

Não nos deixeis cair em tentação, livrai-nos da abstinência!

*

O céu se pinta de rosa para receber as estrelas e a água do lago segue a moda formando um belo casal.

*

Quando a pessoa não sabe que não vê, não sabe que é cega, já disse Paul Veyne - pior é quem se finge de cego pra negar o que vê.

*

Todos querem sombra e água fresca, poucos plantam árvores...

*

O Naruto é de Tóquio; já em Brasília tem o Cocoruto.

*

- Quem é vivo sempre aparece! - diz o céu nublado ao sol, que dá o ar de sua graça afinal.

*

Pra alegrar o netinho: Guadua, tu sabes que o vovô é brincaleão (imitando o leão da Metro).

*

Chuva de formar Cataratas do Iguaçu por todo lado, isso é que é chover no molhado!

*

Queiroga falou que Michelle Bolsonaro é a mãe de todos os brasileiros, que filho da mãe!

*

Uma fruta não cai longe do pé, assim como folhas, flores, sementes e até a própria árvore.

*

Aqui jaz um negacionista.

Não era tarado por vacina.

*

Não agrida a natureza para não ser agredido.

*

"Não olhe para cima" ou "não olhe para o clima"?

*

Não gosta de polarização quem não polariza a atenção.

*

Gosto tanto de estar comigo mesmo que até vou me clonar!

*

Com este calorão não dá pra reclamar de um balde de água fria na cabeça.

*

Com este calorão só não esquenta a cabeça quem se joga um balde de água fria.

*

Certos evangélicos que encontraram Jesus devem ter levado umas boas relhadas.

*

Forno Alegre virou Bafo Alegre, prenúncio de temporal...

*

Chuvarada em Forno Alegre. Bastante água fria na fervura!

*

Mais vale um ar fresco do que dois refrescos.

*

 Depois da tempestade vem o resfriado.

*

Não guarde todos os ovos na mesma cesta, e, mais importante, não mate a galinha depois.

*

Caem as folhas secas pra árvore não cair.

*


Facebook, janeiro de 2022.

Charge: Latuff, Jornalistas Livres

Edu Cezimbra

domingo, 30 de janeiro de 2022

Vozes do Silêncio

 


Silenciosos passos na trilha

Corações se fazem ouvir

No encontro de abraços.


Árovores  e pássaros

Se juntam às gentes

Pra falar da vida.


A natureza silenciosa

Escuta suas vozes com 

A eloquência do silêncio.



Porto Alegre, 30 de janeiro de 2022.

Imagem: arquivo pessoal, Facebook

Edu Cezimbra

sábado, 29 de janeiro de 2022

O Bando e o Contrabando

 

Um dos membros do bando volta à "cena do crime" 50 anos depois.

O bando ia até a Banda Oriental do Uruguai fazer contrabando.

Embarcavam  em um espaçoso e possante Simca Chambord e se metiam pelo Pampa aberto rumo ao Quaraí, sempre por estradas vicinais.

- Pra fugir da fiscalização - dizia o chefe do bando.

Os outros membros do bando concordavam admirados com tanta astúcia.

E lá ia o velho Simca levantando pedra e poeira pelas estradinhas estreitas do interior gaúcho.

Havia paradas estratégicas para molhar os pés e as caras e arrefecer o calor do verão.

Ao chegarem próximo da fronteira retornavam à "carreteira" para adentrar na cidade.

Era tenso cruzar a ponte internacional porque havia as alfândegas brasileira e uruguaia para encarar.

Artigas, cidade uruguaia, era onde se comprava o contrabando.

Enchiam o bagageiro grande do carro com cerveja e carne uruguaias e de sobremesa traziam alfajores.

Também não podiam faltar as "galletas", as saborosas bolachinhas, e um "dulce de leche", para o lanche da volta para o Alegrete.

Apesar de todos os cuidados do chefe do bando eram parados pela fiscalização estadual.

Era preciso aliviar o bagageiro de algumas "Norteñas" para seguir a viagem com o resto do contrabando.

De volta para a base, o bando de contrabandistas comemorava  com uma boa churrascada e algumas "Norteñas" puro malte.

Mais que uma contravenção era uma diversão para os membros do bando, composto pelos tios, os primos e os sobrinhos, o contrabando na Banda Oriental do Uruguai, nas férias escolares de verão! 



Porto Alegre, 29 de janeiro de 2022.

Imagem: arquivo pessoal

Edu Cezimbra

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Corta!



Dois exemplos de pecadores :


No programa religioso da TV:

- Por que te tornaste evangélico, irmão?

-  Porque não preciso confessar meus pecados...

- Corta! 



Na propaganda eleitoral :

- Por que vais votar no pastor, irmão?

- Porque quero comer ovelha...

- Corta!



Porto Alegre, 28 de janeiro de 2022.

Imagem: Cezar Berje, Google

Edu Cezimbra

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Lunar

 

Filmes de ficção científica tem poder de profecia como já vimos em muitos casos.

No caso de "Lunar" o dom é de uma profecia autorrealizada.

O filme, em outras palavras, poderia ser ambientado na Terra, que mesmo assim não perderia seu caráter, embora com tintas distópicas.

Senão vejamos: uma pessoa isolada, seja na Lua ou na Terra, começa a falar consigo mesma.

A solidão pós-moderna é lunática, logo o personagem começa a alucinar.

A alucinação, seja onde for, é causada pela alta tecnologia.

Ou alguém que fala com um robô não estaria alucinando?

Ficar preso em um compartimento asséptico é ou não é típico de uma pessoa doente?

A esperança de sair do isolamento vira uma espera neurótica.

O filme é uma metáfora da atual condição humana.

Estamos, cada um, numa bolha, cercados por aparelhos eletrônicos, mas sem comunicação uns com os outros.

As corporações tomaram conta e fazem o que bem entendem com as pessoas ou planeta.

O operário foi clonado e o exército industrial de reserva engavetado.

O recado de "Lunar" é panfletário: volte pra Terra! 



Porto Alegre, 27 de janeiro de 2022.

Imagem: cartaz do filme, Google

Edu Cezimbra

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Descanso Eterno


 

Os mortos tem o perdão do esquecimento

obtendo, assim, o descanso eterno.

A eternidade não julga,

contemporiza.


Porto Alegre, 26 de janeiro de 2022.

Imagem: Banksy, Google

Edu Cezimbra

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Cheiro de Pobre

 


Dona Maroca conhecia pobre só pelo cheiro. 

A pessoa chegava perto e ela já farejava a pobreza.

Era um bingo atrás do outro.

-Esse é pobre, cheira a fumaça de lenha, não tem fogão a gás.

O pobre já descia vários degraus na escala social de Dona Maroca só pelo cheiro da fumaça.

Essa senhora de classe média já era uma feliz proprietária de um flamante fogão a gás, quatro bocas e um forno, que pilotava com desenvoltura.

Isso foi há muito tempo atrás, quando começava  a industrialização brasileira e o fogão a gás era símbolo de prosperidade.

Pobre não tinha acesso a estes bens de consumo e seguia sem aproveitar os confortos da modernização.

O tempo passou. Dona Maroca não conseguia mais farejar um pobre pelo cheiro.

Até esqueceu do "talento"...

Afinal. o fogão a gás ficou acessível para todas as classes sociais, junto com a geladeira, a TV e o carro.

De uns três anos para cá, Dona Maroca começou, de novo, a sentir "cheiro de pobre".

Não sabia o motivo e foi perguntar para o marido, Seu Juvenal.

- Juju, é só impressão minha, ou os pobres voltaram a cheirar a fumaça?

- Não é impressão, não, Maroquinha. É por causa do preço do gás, muito caro, por isso os pobres foram obrigados a cozinhar com lenha, isso quando tem comida .

- De volta ao fogão a lenha, então. Eu detesto aquele cheiro de fumaça pela casa toda.

- Não, Maroquinha, agora é no fogo de chão que as pessoas estão cozinhando - corrigiu o Seu Juvenal.

- Meus Deus, quanta pobreza, que miséria, mas, também, não querem trabalhar! - concluiu Dona Maroca, pondo uma lasanha congelada no seu micro-ondas.

Seu Juvenal fez que não ouviu o comentário da mulher, ia começar o futebol.


Porto Alegre, 25 de janeiro de 2022.

Imagem:Renina Katz, Google 

Edu Cezimbra