terça-feira, 3 de outubro de 2017

As mentiras de sempre


Na realidade, a mentira é um vício maldito. Não somos homens nem estamos ligados uns aos outros mais que por palavras.
Montaigne, no século XVI, já amaldiçoa a mentira. 

Coloca a mentira como o pior dos pecados; com menos intensidade, a teimosia.

Em sua época, a mentira não era digna de um cavalheiro, não era nobre mentir...

O que Montaigne não diz é que se a mentira é a negação da realidade é porque ofenderia ao real, ou seja, ao rei. 

Embora, no final desse "Ensaio", elogie o Rei Francisco I por desmascarar um embaixador milanês mentiroso.

E, atualmente, onde a mentira é mais nociva?

Provavelmente, na política. Aqui ela assume esse caráter perverso de manipulação da opinião pública e de dividir os homens - no dizer de Montaigne, não esqueça.

No Brasil, uma das maiores fontes de mentira política é a mídia corporativa. 

Seus métodos são de manual do Ministério de Propaganda de Goebbels, e mais recentemente, da imprensa sul-africana da época do famigerado apartheid, sem esquecer a Okhrana, polícia secreta do czar Nicolau II, que divulgou um livro apócrifo, a fraude do "Protocolo dos Sábios do Sião".

Mais grave é a justiça brasileira forjar provas contra um político como Lula, com o intuito assumido de afastá-lo da candidatura à Presidência da República.

Inconsequentes, mas não sem consequências funestas, abrem espaço e cancha para aventureiros que usam de mais mentiras para caluniar pessoas e deturpar a história. 

São capazes de afirmar que o partido nazista era socialista e Hitler esquerdista, acredite se quiser...

A mentira é tão desavergonhada na mídia, no governo e nas redes sociais que assume várias facetas.

Uma das facetas mais hediondas é a negação de fatos há muito comprovados entre eles o aquecimento global, a nocividade de venenos e transgênicos, o desmatamento da Amazõnia, entre outros.

Outra faceta perversa é a deturpação de dados para justificar o desmonte da previdência social e das leis trabalhistas.

Não quero encher meu caro e raro leitor com estatísticas econômicas, por isso deixo outra citação para finalizar e que me parece à altura de Montaigne.

Diz o economista Guilherme Delgado à IHU On-Line: 

O discurso de que a economia dá sinais de suspiro em relação à recessão que o país enfrenta nos últimos anos é uma “narrativa que, aparentemente, faz o acalanto geral da sociedade, mas, infelizmente, ela é falsa.
Não há esses sinais de melhora, até porque quem constrói essa narrativa é, ao mesmo tempo, responsável e prorrogador dos ingredientes que a falsificam do ponto de vista dos fatos”, frisa.


Porto Alegre, 3 de outubro de 2017.

Imagem: J. Borges

Edu Cezimbra