terça-feira, 10 de outubro de 2017

Enganos e Desenganos


Não gostamos de ser enganados.

Por outro lado, "me engana que eu gosto"...

Há quem prefira não saber do engano. Algo assim: nunca se desengana quem se engana sempre.

Se o engano é um problema, o desengano é a solução?

Hum...às vezes preferimos ser enganados, sem falar no auto-engano.

O auto-engano não existe mais, agora é autoengano...

Se o paciente "foi desenganado", antes "foi enganado"? Boa pergunta, quando se quer suscitar um questionamento sobre a "medicalização da sociedade"...

Se não me engano foi o escritor Mark Twain que disse: "é mais fácil enganar as pessoas que as convencer que foram enganadas". 

A ilusão é uma espécie de engano, especialmente na "sociedade do espetáculo".

Em momentos de dificuldades  prospera a sociedade do espetáculo, como podemos ver nas grandes salas que recebem milhares de pessoas.

Essa busca de diversão em momentos de crise econômica e social é reconhecida por historiadores, sociólogos e antropólogos. 

A projeção cinematográfica é o ponto culminante dessa ilusão em massa (TV é hors concours).

Junto com a ilusão vem a projeção. Ou seria o contrário?

A projeção, psicanaliticamente falando, é um tipo de autoengano, já que culpamos os outros por nossas falhas de caráter.

Goebbel, ministro da propaganda nazista, foi o primeiro a combinar as duas projeções, deixando seguidores fiéis no Brasil...

Uma das minhas frases preferidas sobre o tema é de Gramsci:

"O desafio da modernidade é viver sem ilusões, sem se tornar desiludido."  


Porto Alegre, 10 de outubro de 2017.

Foto: cena de "Cidadão Kane"

Edu Cezimbra