segunda-feira, 14 de outubro de 2019

domingo, 13 de outubro de 2019

Previsão versus Premonição


Não é de hoje que o ontem gesta o amanhã.

O presente tem como referência o passado pois o futuro é incerto.

Todos querem prever o futuro porque esquecem o passado e não entendem o presente.

Não entender o presente traz pressentimentos do futuro com sentimentos passados.

O medo do que poderá acontecer vem  da experiência do que aconteceu como manifestação de um acontecimento imprevisto.

A previsão pode ser científica quando feita racional e metodicamente.

Sem a previsão científica a humanidade tem premonições.

Com a previsão temos a capacidade de evitar tragédias e sofrimento.

Com a premonição temos o pressentimento da tragédia e do sofrimento.

A previsão mobiliza e a premonição imobiliza. 

É previsível a negação da realidade e o ataque à ciência por parte de quem interessa a apatia social...



Porto Alegre, 13 de outubro de 2019.

Imagem: Salvador Dali, Google

Edu Cezimbra


sábado, 12 de outubro de 2019

Meus Oito Anos




Oh, que saudades não tenho
Do outrora da minha vida
Da minha infância reprimida
Que os anos não passavam jamais
Naquelas salas de aulas
Vendo passar as tardes inteiras
Pela janela lá fora
Enquanto não via a hora
De bater a sineta
Pra logo ir embora
E no campinho jogar bola
No fim-de-semana sem escola
Havia a "hora da sesta"
Durava a tarde toda
Nenhum amigo se via
Não passava nem cachorro
E jogar bola não se podia
Eu só pensava em ficar grande
Pra ver filme proibido
E fugir daquela agonia!


Porto Alegre, 12 de outubro de 2019.

Imagem: Jean-Baptiste Greuze, Pinterest

Edu Cezimbra

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

O Belo Adormecido



Ao contrário da Bela Adormecida, sua versão masculina não viverá nenhum conto de fadas, - mas de fados...

O conto de fados do Belo Adormecido é pós-moderno.

O jovem mancebo não é nenhum príncipe, embora viva como um.

Não mora em um castelo, embora seu condomínio fechado pareça um.

O Belo Adormecido não será amaldiçoado por uma bruxa má - afirma que não existem bruxas, embora acredite no diabo.

Não precisará de fadas madrinhas, pois seu papai é presidente apadrinhado por um juiz que lhe garante se julgar um rei.

O que fará o Belo Adormecido dormir em berço esplêndido e dormir sonhando que é um príncipe é a sensação de impunidade que impera em seu malfadado país.

Os habitantes do país não caírão em um sono profundo quando o Belo Adormecido se espetar com uma agulha hipodérmica, ao invés de uma agulha de fiar.

Estarão, no entanto, todos narcotizados com drogas químicas legais e aparelhos eletrônicos.

A semelhança com a Bela Adormecida, que ao ser beijada por seu príncipe encantado, acordou em um reino em ruínas é que quando for despertado por um colega de cela encontrará seu país em ruínas.

Aí também encontrará o seu "príncipe encantado"...


Porto Alegre, 11 de outubro de 2019.

Imagem: cena de "El Bello Durmiente", Google

Edu Cezimbra

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Pigmentocracia às avessas


Por Eduardo Sejanes Cezimbra
As culturas populares são uma das maiores expressões da identidade e diversidade de toda nação que  pretenda fazer jus ao nome.
O Brasil será uma nação na medida em que seu povo obtiver o lugar que lhe é devido no território nacional.
Infelizmente, apesar de algumas concessões da parte da “elite branca” que domina o país,  a qual o antropólogo da UnB, José Jorge de Carvalho,  denomina de “pigmentocracia”, ainda persiste o racismo institucional como se pode constatar no corte de verbas para o carnaval, em muitas cidades brasileiras.
Essa noção de “pigmentocracia”, (às avessas, pois é de quem menos melanina apresenta) é muito operativa para se entender as desigualdades e injustiças que fazem do Brasil um dos países em que o abismo social entre os  ricos e os pobres se aprofunda ao invés de diminuir.
Se Jessé Sousa alerta em seus livros que a dita elite branca brasileira faz de imbecil a classe média, o que dizer dos pobres que são submetidos ao extermínio, especialmete os negros, indígenas e campesinos.
Historicamente, as culturas populares brasileiras sempre foram reprimidas pelo estado e pela igreja.
Capoeiristas eram perseguidos pela polícia, violeiros eram presos por vagabundagem e as Folias-de-Reis não eram permitidas pelos padres.
O Boi maranhense ainda guarda a memória de que seus brincantes eram impedidos de festejarem no centro e nos espaços nobres da cidade de São Luís.
Ainda hoje, manifestações populares são reprimidas, a exemplo do funk, por associação com a violência urbana.
A ironia da História é de que a capoeira, o samba, o Bumba-Meu-Boi, entre tantas outras expressões populares tornaram-se referências brasileiras no exterior sendo atualmente uma das maiores fontes de divisas através do turismo.
Em que pese sua espetacularização e canibalização, as culturas populares são um efetivo exemplo de resistência  mantendo vivo o tecido social e o espaço territorial em que se fazem presentes.
Sabemos que o momento político  é de grave ameaça aos povos tradicionais e por isso a valorização das culturas populares é de importância estratégica para se manter a integridade da nação brasileira.
Cabe a nós, brasileiros conscientes, esta árdua tarefa.
Publicado originalmente em Ecologia dos Saberes
Porto Alegre, 10 de outubro de 2019.
Imagem: Pinterest
Edu Cezimbra

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Alonjamento




Campo
Aberto
Abertura

Horizonte 
Amplo
Amplidão

Lonjura
Alongada
Alonjamento 





Itaqui, 7 de outubro de 2019.

Imagem: arquivo pessoal

Edu Cezimbra




sábado, 5 de outubro de 2019

Ser ou vir a ser


Ser alguém para não ser ninguém. ..

A pergunta intimidatória: "o que você quer ser quando crescer?" não é respondida pelo "quero ser" mas por um "ser alguma coisa" que dê status de alguém "fora de si".

O “vir a ser” é esquecido em nome de alguma coisa prática.

A educação vira mera instrução destinada à produção e a à reprodução de mercadorias.

O sujeito fica preso ao objeto sem ação criativa.

A arte é desconsiderada em nome do artifício.

A poesia é “coisa” de desocupado.

A literatura é “coisa” sem valor.

A cultura é reduzida ao culto da prosperidade.

Enfim, a falta de leitura deixa o mundo sem leitura e o “quero ser alguém” faz ninguém vir a ser.

Não surpreende tantos "fora de si"...

Porto Alegre, 5 de outubro de 2019.

Imagem: Oleg Shupliak, Google

Edu Cezimbra.




quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Libreto



O livro é como uma harpa que se toca suavemente, 
para soar sutil e se ouvir o bater do coração.
A música é inaudível aos sentidos, 
porque soa interiormente.

Toca em um livro como quem toca uma harpa,
quem assim toca um livro 
ouve a música da poesia
e o som do coração se faz audível.

O leitor é um harpista que toca em si mesmo...


Porto Alegre, 3 de outubro de 2019.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Utopia Planetária


A humanidade conseguiu salvar a Terra e, consequentemente, a si mesma, ou, se quiser, de si mesma.

Acabaram-se as guerras, os políticos, os sacerdotes, advogados, enfim, todas as profissões criadoras de conflito.

O dinheiro tornou-se desnecessário devido a economia baseada em recursos.

Ciência e tecnologia são compartilhadas com todos os seres humanos.

Os computadores garantem todos as necessidades humanas e, mais, governam a sociedade através do planejamento econômico.

Como toda utopia que se projeta, esta não admite ser chamada de utopia, também não tem ideologia, embora tenha respostas prontas para todos os questionamentos.

A democracia e a liberdade são ficções ou utopias para o idealizador da Utopia Planetária.

A bandeira positivista da "Ordem e Progresso" foi substituída por "Organização e Planejamento" e tudo funciona perfeitamente segundo a metáfora corporal: o cérebro não faz assembleia quando tem que tratar uma infecção no pé...

Como toda sociedade perfeita, os seus membros são perfeccionistas, muito racionais, mas há uma questão que não foi respondida.

O que fizeram da alma humana, esta que só aparece no caos?

Ou seria uma sociedade desalmada, tediosa e anômica,  esta da "Utopia Planetária"?

Porto Alegre, 1º de outubro de 2019.

Imagem: Google

Edu Cezimbra