sábado, 9 de janeiro de 2016

A Biologia do Amor

A Natureza do Amor e o Amor da Natureza 


 


A Mãe Natureza é a expressão máxima do cuidado materno e feminino.
 

Propicia a gestação e o nascimento de infindáveis criaturas nos diversos reinos, brindando-nos com uma abundante biodiversidade alimentar de frutas, raízes, sementes e sabores.
 

Como é agradável aos olhos ver as mães de diferentes espécies lambendo, dando o seio e cuidando de suas crias! Cuidado este que é indispensável ao saudável desenvolvimento dos novos indivíduos. Ao se retirar por poucas horas um cordeirinho de perto de sua mãe, este já não brincará espontaneamente com outros de sua espécie.
 

Brincar em sua etimologia significa vínculo e estes vínculos são formados brincando.
 

Assim, em instituições para órfãos, uma criança que não é cuidada de maneira afetuosa tende a definhar, mesmo sendo alimentada.
 

Bom frisar que a natureza é mãe, feminina, e para as mulheres é bem mais fácil perceber este mistério do aparentemente separado ser uma inefável unidade na diversidade, pois gestam e parem a ambos, mulheres e homens, em um mesmo ventre.
 

Unidade na totalidade biológica do amor, na qual as partes contém e são contidas pelo todo, que aceita como complementares aparentes opostos.
 

Natureza e cultura, corpo e mente, hemisfério direito e esquerdo, céu e terra, água e fogo, masculino e feminino integrados, cuidando-se uns aos outros, propiciam harmonia e cooperação, imperceptíveis aos olhos embaçados do materialista, que vê na natureza a projeção de sua fantasia de separatividade. 

Fantasia de separatividade que mede, classifica e analisa a partir do intelecto e dos sentidos, emitindo conceitos e definições grandiloqüentes, sem vida, pois quem dá vida simplesmente a recebe e dá.

A biologia do amor pede ressonância entre mãe e filhos


 - Era uma vez, em um tempo muito distante, uma mágica transformação na mulher, que arredondava sua barriga como uma lua cheia, e após dava à luz a um novo ser vivo, e por isto a Mãe era doadora da fertilidade e da vida, venerada como Deusa.
 

Quando as Deusas foram travestidas em Deuses? No patriarcado.
 

O sentimento de revanche, domínio e conquista pela guerra dos reis e generais machos foi projetado em deuses vingativos e cruéis, que abonavam as atrocidades contra deusas de tribos indefesas, estupros, saques e escravidão dos vencidos e, principalmente, contra as mulheres e crianças.
 

Neste já longínquo e longuíssimo patriarcado, independentemente da denominação religiosa, seus deuses, de forma escancarada ou sutil, sempre avalizavam as atrocidades perpetradas contra as mulheres curandeiras, ervateiras, parteiras que pariam, embalavam, acalentando com seus cânticos os filhos e filhas da Mãe Terra, cuidando generosa e amorosamente suas criaturas.
 

Perdeu-se nesta longa “Kali Yuga”, no inconsciente da memória ancestral, uma herança inestimável de saberes e culturas originárias, perda esta que culmina na avassaladora crise ambiental e civilizacional de nossa época.
 

Infelizmente, em que pese a ascensão e queda de grande civilizações, surgimento de novos profetas e avatares, esta religião patriarcal ainda mantém sua hegemonia, ainda que inercialmente.
 

Toda esta reflexão me faz lembrar de Einstein que já dizia que “o mesmo tipo de pensamento que criou o problema, usado para tentar resolvê-lo, só pode agravá-lo.”
 

Assim, quando se tenta resolver questões urgentíssimas, como a crise ambiental e humana, que se escancarou nas últimas décadas, com decisões políticas e tecnocráticas da falsa religião do progresso, sustentadas pelo patriarcado e sua ideologia de “poder sobre”, percebemos que a tendência é agravarem-se estas crises.
 

A biologia do amor que Mama Pacha manifesta em cada nova flor, raiz de grama, fruto ou árvores radiosas pede ressonância entre mãe e filhos. Em outras palavras, nós, os filhos e filhas, devemos amá-la com a mesma reciprocidade.
 

Cuidar da natureza é amá-la como ela ama a seus filhos e filhas de todas as espécies. Aprender a amá-la é “re-ligare”, religiosidade atualizada, integrando o masculino e o feminino, enfim!

Edu Cezimbra, publicado em 2007 no blog Absoluta, criação do saudoso amigo Ricardo Martins