terça-feira, 9 de maio de 2017

O preço da eterna vigilância


"O que o rabino queria dizer era claro: se você nunca pode escapar ao olhar atento de uma autoridade suprema, não tem outra escolha senão respeitar os ditames por ela impostos. Não pode sequer cogitar trilhar o próprio caminho além dessas regras se você acredita que está sendo sempre vigiado e julgado, na realidade não é um indivíduo livre."

Obediência,  respeito aos mais velhos, disciplina, entre outros valores morais, são ensinados desde cedo. 

Afinal, "é de pequeno que se torce o pepino", certo? E lá vai o pepino para a sociedade...

Todos se tornam reféns, prisioneiros, dependentes de autoridades externas com "medo à liberdade", disse Erich Fromm.

"Todas as autoridades opressoras - políticas,religiosas, sociais, parentais - têm por base essa realidade vital e usam-na como ferramenta importante para impor ortodoxias, forçar o comprometimento das regras e eliminar a dissidência.É de seu interesse transmitir a mensagem de que elas não deixarão de saber  nada do que seus súditos façam."

 Culpa, medo, angústia, hipocrisia, são sentimentos incorporados por todos para sobreviverem em uma sociedade repressora. 

Alguns até enchem a boca para rezar "manda quem pode, obedece quem tem juízo". 

"Esse menino não tem juízo" reclama a mãe para a professora..."Quando vais criar juízo, fulaninho?!"

Talvez, o mais doentio desse tipo de opressão perversa, seja a vontade de ser também um opressor, pois necessitam dar vazão à sua própria opressão.

"Muito mais eficaz do que uma força policial, a eliminação da privacidade neutraliza qualquer tentação de se desviar das regras e normas."

O autor desses parágrafos que destaquei é o jornalista Glenn Greenwald e eu o chamaria de intelectual norte-americano pela profundidade de suas reflexões sobre a liberdade, a privacidade e a autoridade neles contidos.

O livro é uma reportagem investigativa intitulada "Sem Lugar Para Se Esconder" conta a história de Edward Snowden, da NSA e da denúncia da espionagem do governo americano que foi uma autêntica bomba estourada na política de segurança nacional dos EUA e em seus ideais de democracia, liberdade e privacidade.

Para o leitor atento (como é o meu raro leitor) , fica óbvio porque deixei para dar crédito ao autor desse importante livro no final dessa despretensiosa crônica e forte recomendação de leitura.

Mas, atenção!, friso que a leitura desse livro não é recomendável para pessoas paranóicas ou fóbicas... 


Porto Alegre, 9 de maio de 2017.

Foto: cena do filme "A Fita Branca"

Edu Cezimbra