quarta-feira, 9 de maio de 2018

Volta e meia


“… vamos dar a meia volta / volta e meia vamos dar...”

A cantiga de roda ecoa através dos tempos ancorada no passado distante para se fazer presente nas lembranças de infância.

Volta e meia reaparecem momentos que pareciam passados… e uma meia volta é feita quase que compulsivamente.

Preste atenção que é uma volta… e meia… sim, é uma volta acrescida de algo mais. E é esse algo mais que faz com que a volta seja- se não diferente- acrescida de outros momentos.

Não é regressão a um passado distante mas um ensaio sobre um movimento que se parece mais com uma experiência reformada.

O momento passado, quando recuperado, é tingido com nuances de outros sentimentos e nunca mais, para o bem e o mal, será o mesmo…

Uma simples cantiga de roda pode e deve ser cantada de novo mas nunca mais terá o mesmo tom marcado por passos na calçada, o brilho no olhar e o riso de crianças a finalizá-la.

O que não nos impede de dar a meia volta quando a situação exigir  e, enquanto é tempo, o jogo de cintura permitir...

Porto Alegre, 9 de maio de 2018.

Imagem: Ciranda, Glênio Bianchetti 

Edu Cezimbra

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