quarta-feira, 22 de março de 2017

Enganos em bronze


Inscrições rupestres já indicam que o hábito de registrar em pedra é antiquíssimo na nossa não tão velha humanidade.

Os poderosos de cada época procuraram gravar na pedra ou no bronze as suas vitórias.

Se tivessem que inscrever as suas derrotas possivelmente escreveriam nas areias.

Há quem diga que as derrotas ensinam mais que as vitórias.

No campo da aprendizagem é melhor andar em areia movediça do que no chão duro e escorregadio das certezas absolutas.

Ideias são como areia movediça, já as maquinações são feitas de ferro.

Se acaso você afundar em uma ideia lembre-se que para escapar dessa areia movediça basta pensar em outra ideia nova.

Já uma maquinação obsessiva faz sua cabeça mais dura, mas não esqueça que o alicerce é ainda mais duro que ela.

Por isso, mais saudável abrir a cabeça com novos pensamentos que quebrar a cabeça com velhos bordões.

O poeta Mário Quintana declarou que um "engano em bronze é um engano eterno".

Ao que mereceriam ser gravadas em bronze declarações e promessas de determinados políticos, juízes e jornalistas brasileiros.

Seriam colocadas as placas de bronze em suas salas (ou cavernas) para lhes recordar por que estão ali jogados na lata de lixo da história.


Porto Alegre, 22 de março de 2017.

Foto: Lucas Pedruzzi

Edu Cezimbra