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terça-feira, 14 de abril de 2026

Meus Sentimentos

 


Bons olhos te vejam
Cheiro no cangote
Lindo sorriso
Não te ouvi
Bye bye!
 
 
 
Porto Alegre, 14 de abril de 2026.
 
Imagem: Pinterest
 
Edu Cezimbra 

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Romeu e Julieta

 


- Romeu!

-Julieta!

Quantas peças ensaiadas e apresentadas.

Tragédia amorosa quando repetida vira teatro.

O drama representado é catártico (antes de Shakespeare).

Mas quantos Romeus... quantas Julietas...

Shakespeare inspira.

O teatro é onipresente.

A humanidade se reconhece.

Humano, demasiado humano.

Romeu!... Julieta!...

 

Porto Alegre, 30 de maio de 2025.

Imagem:cena de Romeu e Julieta (1996), Google

Edu Cezimbra

quinta-feira, 21 de março de 2024

Drive My Car

 

Filme japonês premiado expõe com muita arte o encontro das culturas ocidental e oriental, a partir de um ator e diretor teatral e de sua companheira de muitos anos, roteirista.

Dedicado em trazer para o Japão o teatro moderno do ocidente, o ator/diretor envolve-se com peças de teatro que lhe tocam profundamente.

A roteirista cria seus roteiros após relações sexuais com seu companheiro e seus amantes.

Os dramas pessoais de cada personagem são realçados durante uma residência de teatro em Hiroshima, onde o diretor convive com um dos amantes da mulher e com uma motorista de seu carro.

A montagem de "Tio Vânia" de Tchékhov por si só já valeria o ingresso.

O elenco é composto por atores e atrizes do Extremo Oriente que interpretam os personagens em seus próprios idiomas, até na linguagem de sinais coreana.

Por fim, um filme japonês que mostra um lado humano da globalização em que arte e cultura ajudam a superar a dor, a culpa e a morte.


 

Porto Alegre, 21 de março de 2024.

Imagem: cartaz do filme

Edu Czimbra

terça-feira, 11 de julho de 2023

Entrevista com Tartufo

 

A cena ocorre na Bastilha.

Molière, o autor, e Tartufo, a personagem estão cara a cara, separados pelas grades da prisão.

Molière, com muito tato, pergunta a Tartufo:

- Senhor Tartufo, conte-nos como viestes parar na Bastilha...

Tartufo coça a cabeça, olha para o teto da prisão pensando em mais uma das suas falsidades:

- Meu digníssimo senhor Molière, hás de convir que pela minha dedicação ao Céu e aos mandamentos da Igreja essa foi a maior das injustiças - data venia - cometida pelo nosso augusto Príncipe.

Molière ajeita a longa peruca, alisa seu vistoso lenço de renda e quer a confissão dos crimes de Tartufo:

- Diga-nos, senhor Tartufo, sem tergiversações, o que lhe fez cair nessa horrenda masmorra.

Tartufo, sempre atento às oportunidades, cobra de Molière:

- Contar-lhe-ia,  sem mais delongas e com riqueza de detalhes, se Vossa Senhoria arranjar-me uma boa, digo mais, polpuda doação...

Molière, que conhece bem a personagem Tartufo, massageia o seu ego:

- Senhor Tartufo, sua recompensa será a fama e a imortalidade.

A Tartufo seduz a fama, embora não lhe seduza a imortalidade na Bastilha:

- Meu nobre senhor, falai-me mais dessa imerecida e gratuita fama...

Molière não tem papas na língua e traça o retrato falado do tratante Tartufo:

- Teu nome, Tartufo, será eternamente associado com a personificação do homem cínico, inescrupuloso, que abusa da credulidade e da boa fé alheias com a perversa intenção de enriquecer ilicitamente com a fortuna do próximo.

Tartufo não perde a pose, finge que não lhe diz respeito o ácido julgamento de Molière e proclama:

- A tremenda injustiça cometida contra a minha devota e pia pessoa será sentida por muitos Tartufos no futuro!

Molière balança negativamente a cabeça e cai o pano na Bastilha...


Porto Alegre, 11 de julho de 2023.

Imagem: cena de Tartufo

Edu Cezimbra

terça-feira, 13 de junho de 2023

Teatro ou Terror

 


Prefiro o teatro ao tétrico.

O teatro transforma o tétrico em tragédia.

O tétrico é o teatro de guerra.

Quando o teatro vira tragédia possibilita a catarse.

O tétrico vira teatro de guerra com todo o terror subjacente.

Melhor colocar no palco as cenas de crueldade e desumanidade do que repetir essas cenas...

Na verdade não existe "teatro de guerra", o que existe é uma guerra tétrica, macabra e maquiavélica onde a primeira vítima é a verdade.

A tragédia mostra o que podemos ser.

A farsa o que não somos...

Enfim, urge sair do tétrico e voltar para o teatro! 


Porto Alegre, 13 de junho de 2023.

Imagem: Tragédia Grega

Edu Cezimbra

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Doroteia e suas Primas

 


Em "Doroteia" o teatro de Nelson Rodrigues chega às raias do absurdo.

Virulento, cáustico, implacável ao extremo.

Quem viu a peça ou a leu há de convir que seu texto é a mais ferina crítica de todas desse dramaturgo brasileiro, crítico ferrenho da falsa moral burguesa.

Já em Doroteia não há falsa moral mas um moralismo extremista.

As 3 irmãs são os exemplos acabados da repressão sexual das religiões patriarcais.

Insuperáveis entre todas as mulheres na rejeição à própria sexualidade.

Nelson Rodrigues,"o anjo pornográfico", vai fundo na caracterização das oprimidas e opressoras primas de Doroteia.

Não há espaço, nem físico nem mental, para qualquer insinuação de sexo na casa das três irmãs...

Sem quartos, sem leitos, sem homens a vida das primas de Doroteia transcorre obscura, árida e assexuada até a chegada dela.

Recebida com muita desconfiança e hostilidade pela sua beleza é cobrada por não ter "a náusea" no leito nupcial.

"A náusea" aparece na tradição familiar como genética.

Imperativo categórico na repulsa à sexualidade feminina.

Como sabemos, "o anjo pornográfico", não é nada feminista, muito antes pelo contrário...

As mulheres são pintadas como algozes de si mesmas.

O ódio não é contra os homens já que na peça estes não são visíveis.

O que transparece em "Doroteia" é a negação total da vida através da crença de que o sexo é sujo.

Uma mulher de e da família tem obrigatoriamente de sentir "a náusea" durante a noite de núpcias.

E, paradoxalmente, quando a náusea não vem a morte sobrevém...

Nem Freud explica.


Porto Alegre, 12 de agosto de 2022.

Imagem:cena de "Conversa de Botas Batidas", Espaço do Ator

Edu Cezimbra

 

terça-feira, 24 de maio de 2022

Diplomacia

 

 - Paris está em chamas? - pergunta repetida muitas vezes no telefone fora do gancho encerra um clássico da II Guerra Mundial.

Diplomacia , filme mais recente, responde a pergunta mostrando os bastidores que decidiram o destino de Paris em 1944.

Graças ao ciumento Napoleão III, que vigiava sua amante por detrás de um espelho falso, o cônsul sueco consegue adentrar por uma passagem secreta a suíte de hotel do general alemão responsável por cumprir a ordem de Hitler de destruir Paris.

O filme alemão baseado em uma peça teatral é basicamente um debate ético e moral entre o general alemão e o diplomata sueco.

Muitas questões saltam aos olhos do espectador atento aos meandros da guerra e da política.

A destruição total de cidades alemãs é um dos argumentos do general alemão para cumprir a ordem de Hitler.

O diplomata argumenta que Paris é uma cidade que se destruída acarretará uma mácula imperdoável para a Alemanha.

Nada demove o general alemão de sua determinação de explodir Paris.

Quando tudo parece perdido acontece o inesperado...

Tanto que o general alemão recebeu, anos mais tarde, uma medalha dos franceses por ter poupado Paris e os parisienses.

Faltou a cena patética de Hitler falando ao telefone fora do gancho e perguntando "Paris está em chamas? Paris está em chamas? Paris está em chamas?"...



 

Porto Alegre, 24 de maio de 2022.

Imagem: cartaz do filme, Pinterest

Edu Cezimbra

sábado, 9 de abril de 2022

Ricardo III

 

O corpo fala por Ricardo III.

Deformado por natureza quer deformar a natureza humana.

Tudo lhe é abjeto, por isso objeto de cobiça, crueldade e perversão.

Quem assiste a peça de Shakespeare tem a impressão de que não há salvação.

Tamanha maldade só pode ser combatida por outra força poderosa.

Como vencer o mal se ele é tão ubíquo?

Toda virtude é fraca diante do poder.

Quem resiste a tanta força?

Talvez, quem sabe, a arte, a literatura, o teatro?

Pois assim é quando temos autores que nos balançam.

As tragédias no teatro nos remetem à catarse social.

É preciso refletir para não repetir a tragédia como farsa...


Porto Alegre, 9 de abril de 2022.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra


sexta-feira, 25 de março de 2022

Palavras Vazias

 

Ao ser indagado sobre o que lia, o príncipe Hamlet assim contestou: "words, words, words".

Shakespeare não entregou o título do livro, provavelmente por temor a uma represália shakespeareana do autor.

Decorridos séculos posso arriscar alguns títulos, sem ofensas, ressalvo:

Livro de autoajuda: "O Príncipe".

Romance de cavalaria: "Os Cavaleiros da Távola Redonda".

Livro de ficção: "Utopia".

Leitura obrigatória: "Bíblia".

Enfim, não havia muitos livros impressos na época, a leitura não era o esporte preferido da nobreza, mas estes já me bastam como mote.

O que quero frisar é que letras, palavras, aforismos, obras literárias são passíveis de interpretação.

A depender do estado de espírito, ânimo, humor e, especialmente, visão de mundo, as palavras podem soar de maneiras diferentes e, até opostas, ao entendimento de cada um.

Se Hamlet estivesse lendo o "Sermão da Montanha" diria "palavras, palavras, palavras" em que pese a Palavra da Salvação.

Hamlet estava deprimido com o assassinato de seu pai, por isso tudo lhe parecia vão.

Shakespeare puxou a brasa para o seu assado ao encenar uma peça de teatro que desmascarou o tio assassino com "words, words, words"...


Porto Alegre, 25 de março de 2022.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Antígona Desobediente

 


Antígona, acima dos homens, representa nossa humanidade.

Uma mulhar, uma irmã, busca a diginidade a qualquer custo.

Polinices, seu irmão, morreu lutando na tentativa de recuperar seu trono tebano usurpado por Creonte.

Creonte, o temido rei de Tebas, acusa Polinices de trair a pátria e segundo sua lei impede o sepultamento ritual..

Eis a vingança cruel, insepulto vagará pelo inferno sem o descanso eterno..

Antígona lembra a Creonte que acima da lei do homem existe a lei dos deuses do Olimpo.

Mais que uma questão jurídica ou teológica o que a tragédia de Sófocles  traz em sua essência é a dignidade inata de todo ser humano.

Antígona não se submete à lei do homem, apelando para a lei divina, mas o que não é dito, por interdito, é que é uma mulher que se insurge e desobedece.

Ismênia, sua irmã, nega-se a participar do sepultamento do irmão por se submeter ao patriarcado grego.

Antígona está só mas não desanima  e prossegue, contra tudo e todos, decidida a enterrar ritualmente seu irmão.

Portanto, quando se falar de desobediência civil, recordando nomes masculinos como Thoreau, Gandhi, Luther King e Mandela é justo honrar Antígona, enterrada viva, por enterrar seu irmão.


Porto Alegre, 29 de dezembro de 2021.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

   

quinta-feira, 29 de julho de 2021

A Arte de Educar

 


O cenário é o mesmo, seja à direita ou à esquerda (mesmo no centro): uma sala de conferências, com um “palco-púlpito” mais alto que a sala com cadeiras dispostas linearmente feito linha de montagem, um sistema de som possante para amplificar uma voz -e tão somente uma -, para reforçar o papel passivo do expectador do espetáculo que se desenrolará à sua frente. Perfeito para ficar “por cima” no palco.

Agora o cenário está montado, seja para um fórum de direita ou um fórum de esquerda, seja para uma conferência sobre cultura erudita ou cultura popular, mas seguirá sendo uma palestra, digo mais, um discurso monológico, em que apenas o orador detém o poder de amplificar suas palavras de ordem.

Sei bem, o caro leitor já cansou apenas com a descrição de mais um evento público em que logo estará divagando enquanto o esforçado professor, conferencista ou candidato a um cargo despejará em jorros suas palavras iluminadas a um público apagado, apático e cansado com tantos discursos.

A maioria dos encontros com este formato acadêmico tendem a não dar em nada (o que talvez seja o objetivo inconfessável dos mesmos). Em congressos científicos é comum ouvir que o mais produtivo são os encontros de corredor nos intervalos da programação, que alguns apelidaram de “rádio corredor”.

A exceção são palestrantes treinados, políticos e pregadores carismáticos que conseguem captar a atenção da plateia com dotes histriônicos para vender seu peixe através de técnicas manipulatórias da consciência.

Como dentista comunitário e ativista social logo me dei conta que se eu seguisse atuando desta forma acadêmica o que eu conseguiria seriam mais olhos opacos, cabeças viradas para a janela e bocejos discretos, quando não uma soneca em plena sala de aula ou auditório.

Empenhei-me, então, em encontrar maneiras de tornar mais proveitosas as reuniões e encontros que produzia e atuava muito imbuído já da proposta de convivialidade do sociólogo Ivan Ilich, autor de várias obras questionadoras do establishment.

Ler mais: https://educezimbra.wordpress.com/2015/12/22/a-arte-de-educar/


Porto Alegre, 29 de julho de 2021.

Imagem: Teatro do Oprimido

Edu Cezimbra

terça-feira, 6 de abril de 2021

Golpe Real

 


Ricardo III é o que hoje se chamaria um rei dos golpistas.

Nem a família se salva...

Nessa peça, Shakespeare dramatiza a traição familiar.

Entram a ambição desmedida, a obsessão pelo poder e saem os laços de família tão prezados.

Ricardo é um traidor vil que conspira contra os mais altos valores de uma tradição secular.

Golpeia, sem dó nem piedade, seu próprio irmão e seus sobrinhos.

Para isso não tem nenhum escrúpulo moral e ético.

Shakespeare faz parecer uma vingança pessoal. Mas, contra quem mesmo?

Vingança contra a própria família real!!!

Tragédia inominável, sem pararelo na história.

Por isso, o regime implantado por Ricardo III é autofágico para Shakespeare.

A tragédia da família real é extensiva aos seus súditos.

Não  faltarão similitudes com um golpe atual.

Embora esse golpe seja "pela família", enluta todas as famílias...


Porto Alegre, 6 de abril de 2021.

Imagem: cartaz de Richard III, Google

Edu Cezimbra

sexta-feira, 19 de março de 2021

O Teatro da Vida

 


Teatro é vida, ou melhor, teatralização da vida humana.

De tão universal esta noção até se fala em "teatro de guerra".

Curioso, mas não se fala em teatro de paz, no máximo, em cenário de paz.

Desconfio que seja por não existirem muitos atores da paz.

- É de paz!

- Acabou o teatro...

Já viu alguma peça de teatro baseada na paz?

- Péra, deve ter uma - não lembro agora...

- Tem aquela, como é mesmo o nome? Lembrei, Jesus Cristo Superstar, não é isso?

Nada como uma boa comédia para relaxar.

Pois é, mas quase toda comédia é baseada na desgraça alheia, é ou não é?

- Tem até as videocacetadas, ou seriam vídeocassetadas?

- Sim, quem é que não solta uma boa gargalhada assistindo aqueles desastrados?

Perceba. Toda comédia é mesmo baseada em uma tragédia pessoal.

- Daí a tragicomédia...

Pois então, não é a toa que a tragédia é considerada uma catarse coletiva.

- Talvez seja porque as pessoas saiam pacificadas depois de sofrerem com tantas tragédias...

Cai o pano, mas o baile, digo, o teatro continua! 


Porto Alegre, 19 de março de 2021.

Imagem: Teatro Escola Macunaíma, Google

Edu Cezimbra

quarta-feira, 17 de março de 2021

A Ópera do Rebanho

"Um bezerro abandonado pode ser enganado por seu carrasco", falou Brecht.

Respondeu assim ao que sua parceira havia dito:

-Não é um bezerro, é um açougueiro.

Falas duras, mas expressivas do filme alemão "Mack The Knife".

Assim começa e termina essa tragédia.

Não há vítimas nem carrascos quando não sabem o que fazem, mas fazem mesmo assim, adendando  Marx a Jesus.

Sim, há bezerro e há açougueiro nessa tragédia humana.

O açougueiro é o bezerro com pele de lobo.

Mais adiante no mesmo filme surge outro aforismo brechtiano:

"Quando a situação é desesperada a solução sempre vem". 

Será? Parece que é quando a salvação vem é que a situação se torna desesperadora.

Aí só resta o açougueiro, porque o rebanho morreu...


Porto Alegre, 17 de março de 2021.

Imagem:Fred Crippen, "Mack the Knife"

Edu Cezimbra

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Pedagogia ou Teatro?

 

- A pedagogia para os alunos... - o que é isso, sora?!

- A pedagogia para professores... - o que é isso, aluno?!

A pedagogia é de quem, afinal?

Digo mais: a pedagogia é para quem?

Se for para adultos não é mais pedagogia, etimologicamente falando.

Adultos não são tão maleáveis quanto crianças...

Preferem malhar.

Uma boa parte dos adultos, infelizmente, prefere a demagogia.

A demagogia é o oposto da pedagogia...

O que me leva a pensar que melhor que pedagogia para adultos é o teatro...


Porto Alegre, 28 de outubro de 2020.

Imagem: Google

edu cezimbra

domingo, 31 de maio de 2020

Diz-se de Maio


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Loucos elegem um louco e acham que estão certos - "bem certinhos"...
*
Na manhã nublada e fria
Tarda o sol nascente
Para aquecer o dia
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Os Bolsonaros denunciando golpe de estado é a piada do dia no twitter.
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Quando examinado bem de perto ninguém é saudável.
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In vino veritas, in coffea conhaque.
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Ao frio não se acostuma, como ditadura, ou se submete ou se resiste a ele.
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Tudo como dantes na quartel do Abrantes: o Bolsonaro foi pro Centrão.
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Quando o passado se repete no presente algo não foi passado a limpo.
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Previsão do tempo: segundo o meu valvulado rádio antigo não vai chover hoje.
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Anarquista é um comunista que não acredita em partido.
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Comunista é um kardecista que não acredita em Jesus, segundo "o caseiro do presidente", personagem hilário do Castelo...
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Cheque o mate não é xeque-mate...
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O Bolsonaro foi ao STF advogar abertura do comércio e o Tofolli não deu voz de prisão por crime de genocídio?!!
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O frio não se consente, porém se sente...
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Tempos conturbados estes em que a História virou estória, ou vice-versa...
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O Bolsonaro não pode renunciar porque não assumiu a presidência, segue em campanha eleitoral.
*
Mito economicista precisa urgentemente ser desmistificado: - basta de sacrifícios humanos!
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Chupando despacito o dedo enquanto o mate não vem (pra quem não mateia solito como o Jayme)...
*
O século XXI será ecológico ou pereceremos feito os dinossauros.
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Bolsonaro não faz live, faz death.
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O Ministério da Saúde alerta: o fundamentalismo religioso é prejudicial à saúde.
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Não devemos propor o novo sem aprender com o velho, para o novo não nascer envelhecido.
*
Hoje é Dia da Manhêêê tô com fome...cadê meu tênis?... me busca na resenha! Parabéns a todas as Manhêêê!
*
O sol inflamou as nuvens e o céu escarlate prenunciou uma revolução - mas era fogo de palha...
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O céu torce e retorce as nuvens para extrair pingos de chuva...
*
A burocracia é inimiga ferrenha da renovação porque tem muita lealdade para consigo mesma.
*
Programa de TV para a quarentena: Quilos Mortais.
*
Nota de Repúdio não derruba o Bolsonaro, mas faz o STF e o parlamento cair...em si.
*
A burocracia dispensa seu voto, ela vota em si mesma.
*
O Bolsonaro é irresponsável mas sabe o que é "crime de responsabilidade".
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Covid-19 é o vírus com a cara do capitalismo pela capacidade de reprodução, globalização e alta mortalidade.
*
Madruguei...depois a dormir voltei...
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Há castrações físicas e químicas, mas a mais terrível é a castração moral.
*
Tchê, que friozinho bueno!... - Bão pra sentir saudades do verão, uai!
*
Para existirem os trópicos são precisos dois pólos.
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Se política fosse pedagógica não haveria tantos analfabetos políticos.
*
Bendito sol
No inverno
Não me deixa só!
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"O problema essencial da educação é dar exemplos", dizia Turgot. Atualmente, o desgoverno dá exemplos... de falta de educação.
*
Se não respeitais a quarentena do covid à cova ides.
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Foi chuva de molhar lençol freático.
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Os EUA não estão preparados para o 0 X 0, disse Wisnik; que dirá pra um 7X1, digo eu.
*
Alô, Seu Pedro, precisamos chuva de encharcar o colchão, digo, o chão!
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Dia Internacional da Biodiversidade, e merece ser lembrado, pois sem ela não haveria outros dias...
*
Vídeo da reunião ministerial do Bolsonaro: - Tirem as crianças da sala!
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O STF esqueceu de avisar a classificação indicativa dos vídeos do Bolsonaro: para maiores de 18 anos.
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Como vemos no Brasil, o maior risco da democracia é virar kakistocracia (governo dos piores).
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As dores da humanidade são de todos, mas cada um as sofre (ou não) ao seu modo próprio de ser.
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Depois dos vídeos com Bolsonaro e seus milicianos dá pra ter uma ideia como são as reuniões de condomínio na Vivendas da Barra.
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Quem te viu quem te vídeo!
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A Terra forçou um decrescimento para garantir um modelo que não seja economicida.
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A palavra é dita e interpretada por cada um de acordo com sua visão de mundo.
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INCOMPETENTES: Quantas siglas cabem neste palavrão...
*
A situação briga de foice, ops, arminha no escuro.
*
Um trigo, dois trigos, três trigos... No Antigo Egito foi inventada a trigonometria.
*
Depois de assistir o Moro no JN tem muita gente apostando que ele também não vai aos debates presidenciais.
*
São preciso muitas lives pra tantos mortos...
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Asil, já tiraram o pau e agora tiraram o BR, desse jeito, Plasil acima de tudo...
*
Plasil acima de tudo...
*
Antigamente, salteadores ameaçavam: - a bolsa ou a vida, hoje, gritam "o bolso ou a vida".
*
BO: foram às vias de gatos, porém, o gatuno afirmou que vive arranhado mas não larga as gatas.
*
É o maior desafio tomar banho no inverno.
Nem é por causa do frio,
que isso é coisa de velho,
é só pelo calafrio...
*
Não confunda humildade com auto-estima baixa.


Facebook, maio de 2020.

Charge: Revista Piauí

Edu Cezimbra

sábado, 4 de abril de 2020

Fim de Partida



     "Quando a ficção científica não supera a política."
Em toda distopia há uma boa dose de otimismo ingênuo, escrevi em outra crônica. 

Portanto, quem haveria de prever que o colapso ocorreria por falta de equipamentos básicos em toda e qualquer emergência?

Há falta de máscaras, de luvas, de medicação e de respiradores para os pacientes internados nas UTIs.

Em todo "filme catástrofe" sobram dramas mas os equipamentos de primeiros socorros estão à mão dos heróis e heroínas que salvam as vítimas.

Claro, sempre há falta de petróleo (apego aos combustíveis fósseis), falta de crianças, falta de ar, falta de perspectiva, mas sempre há uma solução improvisada para suprir tais carências.

Agora, o colapso é um choque até para os mais fervorosos adeptos da ficção científica...

Quem iria pensar que a realidade imposta pelo neoliberalismo superaria a imaginação apocalíptica de um Samuel Beckett em Fim de Partida?

Talvez, hoje, Beckett escrevesse um drama intitulado Partida por Fim, onde as pessoas em quarentena ansiassem pelo fim... 




Porto Alegre, 4 de abril de 2020.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

domingo, 1 de março de 2020

Teatro de Sombras


Se o mundo é teatro
É a sombra que se destaca
Em um jogo de poder


Porto Alegre, 1º de março de 2020.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Frida


Assisti, no Teatro de Arena, dentro do Porto Verão Alegre 2013, uma das peças mais dilacerantes dos últimos tempos.

Frida Kahlo, à Revolução, traz a estética exuberante das pinturas de Frida Kahlo, a sua indignação visceral com as injustiças sociais e uma visão de mundo em que sua vida pessoal sofrida se sublima em sua arte original e ardor revolucionário.

 Casa cheia através dos elogios e críticas de quem teve o privilégio de assistir.


Porto Alegre,  13 de janeiro de 2020.

Imagem: Facebook 

Edu Cezimbra 

sábado, 29 de junho de 2019

A Criança Enterrada


Uma família normal estadunidense: tudo a esconder...

O pai alcoólatra, a mãe adúltera, o filho inválido e o fantasma de um bebê ilegítimo, todos cabem no sofá do cenário doméstico.

Um cobertor é disputado entre pai e filho, curto demais para encobrir tantas vergonhas.

Em torno disso gira a peça de teatro "Buried Child", de Sam Shepard, uma contundente parábola da  "sagrada família" nos EUA.

A família que esconde zelosamente suas mazelas, simbolizada pela "criança enterrada", perdoada pela igreja.

Na peça, não há o retorno do filho pródigo (este morreu), mas do neto, na companhia de uma jovem desconhecida.

Ironicamente, não é o neto, mas a jovem estranha que abala a aparente ordem familiar.

Essa jovem manifesta o desejo de conhecer mais a família de seu amigo. A partir daí desencadeiam-se uma série de confissões do pai da família, culminando na "criança enterrada".

A volta do neto embriagado eleva ainda mais a dramaticidade da peça.

Apesar de toda crítica a sua família, o neto é declarado herdeiro da casa e dos bens materiais do avô, e mais, aceita essa herança.

Em outras palavras, aceita com satisfação dar continuidade a essa tragédia familiar, pois é o que lhe restou na vida.

A criança foi desenterrada... baixa o pano.

Porto Alegre, 29 de junho de 2019.

Imagem: Google

Edu Cezimbra