quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Os eleitos


Há qualquer coisa danosa
Nas palavras usuais...
Veja a política, apesar da alta costura
Democracia prêt-à-porter faz bem.
Para que a liberdade aconteça
Antes aconteça a igualdade.
Se fala de 'eleitos', e pior, eles assim
Se consideram, por serem os mais votados,
Ganham carta-branca para rasgar a Carta Magna.
São os 'campeões' de votos, mas sem votos
De pobreza, por favor! Votos de silêncio,
Nem pensar! E o que dizer de votos de castidade?
Aí sim, não são nada religiosos, embora todos
Tenham 'religião'... Note os termos em questão:
Todos definitivos, indiscutíveis, ninguém ouse atacá-los
Do alto de seu panteão, de suas torres de marfim.
Fazem de heitara a democracia, dela abusam como serva...
E fazem dessa prostituída democracia pretexto 
Para suas negociatas de ocasião.
Aos eleitos, um povo eleitor, nunca um povo eleito,
Que dirá representado, se representantes são de grandes 
                                                                          [corporações,
De minorias abastadas, deixando como saldo 
                                                           [maiorias abastardadas,
Despossuídas, desvalidas, sem guarida...
Deixo aqui uma outra palavra antiquada, profecia:
Dia desses essas torres de marfim desabarão e quem nelas estiver
Juntos todos cairão nos braços do povo eleito.


 Porto Alegre, 26 de outubro de 2016.

Foto: cena do filme 'Gladiador'

Edu Cezimbra