sábado, 22 de outubro de 2016

Discutindo a relação

Fugit amor dalla porta dell'inferno

Os papéis sexuais são ou não decisivos na discussão da relação? 

Papéis são aprendidos desde criança, especialmente na família e na vida em sociedade.

A discussão da relação se dá principalmente quando ocorre uma infidelidade - a familiar e condenada traição -, quando o par amoroso vira um triângulo amoroso, às vezes um quadrado, quando não um tratado de geometria...

Do jeito que está o amor não precisa mais de lição de anatomia, mas de trigonometria.

Sem falsos moralismos, mas a promiscuidade sexual não deixa de ser um moralismo já disse um famoso psicanalista.

Aliás, como vendem bem os livros que pretendem 'discutir a relação' a partir de papéis definidos: 'Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus' , deixando no ostracismo os muitos deuses e deusas do diversificado panteão greco-romano.

Porque só no panteão greco-romano, sem falar nas outras mitologias, sobram 'papéis' para escrever muitos livros sobre homens e mulheres...

O grave desse 'Leito de Procusto' da auto-ajuda é que a vida das pessoas é submetida a julgamentos baseados em estereótipos e clichês que acabam complicando demais as relações pessoais.

A vida não é uma novela das oito, embora muita gente ainda faça da sua vida uma novela...

A dificuldade dessas pessoas é perceber que mais que uma novela as suas vidas são um documentário da TV Escola, que poucos gostam de assistir, a não ser se 'vale nota'.

Convenhamos, as pessoas não dão muito valor a suas biografias, no entanto, esse conhecimento de si mesmo através da "quaestio mihi factus sum", do latim: "converti-me numa questão para mim", ou a mais conhecida máxima socrática "conhece-te a ti mesmo" é básico.

E o que isso tem a ver com os papéis sexuais na discussão da relação, deve estar se perguntando o leitor atento.

Sei não, mas desconfio que tem tudo a ver, não acha?...

Porto Alegre, 22 de outubro de 2016.

Foto: escultura de Auguste Rodin

Edu Cezimbra