terça-feira, 27 de setembro de 2016

O Homem sem Qualidades


"O Homem sem Qualidades também foi chamado de uma espécie de 'romance de formação', apesar de a personagem do título, Ulrich, ser um matemático de 32 anos. No entanto, Ulrich - cujo sobrenome nunca é mencionado "por consideração a seu pai" - tem uma consciência a tal ponto aguçada da confusão do mundo moderno que decide afastar-se da vida prática por um ano. Percebe-se, então, na condição de um homem sem qualidades, como o define seu amigo de infância, Walter: por um lado suas particularidades não lhe pertencem realmente, são rótulos impostos de fora; por outro faz parte da grande massa anônima das metrópoles."

'Aplauso', uma revista cultural de Porto Alegre, mostrou-se preocupada com os indicadores culturais da população brasileira apresentados por uma pesquisa do governo federal, tanto que fez uma reportagem com o sugestivo título 'O Tamanho da Tragédia', lá por 2007.

Foi na releitura dessa revista, hoje de manhã, apanhando aquele solzinho e a brisa fresca da primavera, que me veio a associação com o romance 'O Homem sem Qualidades', do escritor austríaco Robert Musil, citado acima, no posfácio de seu outro romance: 'O Jovem Törless", traduzido por Lya Luft.

Musil, tem  o mérito de realizar , no início do século XX (há mais de cem anos atrás), a visão profética do homem massificado pela 'cultura de massa' (a repetição é intencional),

Imaginei 'Herr' Musil ressuscitando no Brasil atual. 

Feliz ou infelizmente, não possuo o dom mediúnico da psicografia, portanto suponho que ao ler a pesquisa sobre o 'consumo' de cultura dos brasileiros acrescentaria um novo termo ou prefixo ao título de sua obra-prima, algo assim: ' O Homem sem nenhuma Qualidade'; ' O Homem Desqualificado', O Homem sem quaisquer Qualidades', por aí...

Outra coisa, 'Herr' Musil: o oposto do 'Homem sem Qualidades' seria obviamente  'O Homem com Qualidades'?

Alguém do 'naipe' de Proust, Kafka, Joyce, o próprio Musil para ficarmos na sua 'área de segurança'?

O parêntese  (imenso) a uma das indicações de um dos antropólogos que interpretou o resultado da pesquisa é que a 'cultura de massa' por meio da TV e do rádio, sem esquecer a internet, criou um mundo de 'midiotas' mostrado alegoricamente no filme 'Muito Além do Jardim: O Videota', estrelado pelo impagável Peter Sellers.

Sempre que os especialistas se deparam com uma 'sinuca de bico' em suas respectivas áreas aparece a 'palavra-mágica': Abre-te Sésamo, Educação!

Ao que lhes recordo a constação do sociólogo Florestan Fernandes: 


"A televisão tornou-se um estado dentro do estado, uma escola acima das escolas e uma forma sublimar e assustadora de manipulação de mentes"

Então, antes de mais nada, para melhorar os indicadores culturais brasileiros através da 'panacéia' da  educação essa é minha proposta objetiva: 

#DesligaRedeGlobo e, obviamente, a 'concorrência' evangélica e ruralista. 

Curto e grosso.