sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Perdas e Ganhos



  • Diário virou blog
  • Telegrama virou twitter
  • Carta virou e-mail
  • Livro virou e-book
  • Telefone virou iphone
  • Disco virou ipod
  • Vídeo virou youtube
  • Enciclopédia virou wikipédia
  • Pesquisa virou google
  • Grupo virou e-group
  • Amizade virou facebook
A lista é enorme, cito aqui apenas programas e aplicativos mais utilizados por todos..

Não dá para esquecer a boa e velha máquina de escrever que virou um teclado cheio de teclas misteriosas...

É só uma constação, não é reclamação, não.

Tudo muda para seguir igual, já disse um sábio.

Saudosismo é para fracos, românticos, velhos; esqueci alguém?

E, não se preocupe, caro leitor, não vou discorrer sobre cada item da lista acima...

Agora, quem teve um diário e escreveu  suas confidências íntimas sabe bem do prazer que é sentir a caneta deslizando na folha em branco feito um esqui na neve. 

Quem já recebeu uma carta não esquecerá jamais da excitação que era abrir o envelope selado depois de ler o remetente, reconhecendo a letra da pessoa amada ou do amigo. 

Claro, era mais demorada a troca de correspondências, e, talvez por isso os namorados namorassem por mais tempo...

Os livros, então...Para mim, um caso à parte: não há comparação entre escolher um, há quem pegue, apalpe, cheire o livro como preliminar, para depois abrí-lo, folhear suas páginas, lendo sem a irradiação da tela do computador e como se fosse os créditos que poucos leem nos filmes.

Até parece que o e-book é radioativo, credo...

Evidente que também leio e-books, não é disso que se trata, mas sim do sentimento que não é bem a leitura de um livro, entende?

Para concluir (ufa) quero dizer algo sobre as redes sociais e seu milhões, bilhões de usuários.

Umberto Eco disse que as redes sociais deram voz a uma legião de idiotas. Concordo no que tange aos idiotas...

Talvez por ser um estudioso da comunicação não estendeu a citação com um 'no entanto'...

No entanto, as redes sociais também deram voz e vez a escritores, músicos, cineastas, entre outros, que permaneceriam inéditos ou desconhecidos não fosse a internet com seus Facebook e Youtube, etecéteras e tais.

No balanço de 'perdas e ganhos' dessas 'e-novações' considero que as informações geradas aumentaram geometricamente, enquanto a sabedoria que delas advém aumentaram aritmeticamente.

'É ou não é'?...


Porto Alegre, 30 de setembro de 2016.

Edu Cezimbra