quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Brasil, ame-o ou deixe-o


Vô, que bonito aquele 'plástico' (sic) ali: "Brasil, Ame-o ou Deixe-o"!

Bonito coisa nenhuma, isso é coisa desses 'gorilas' fdp.

Como assim?!

Isso é coisa desses 'milicos' que derrubaram o Jango...


Hoje lembrei desse diálogo inusitado de um neto com seu avô.

O adesivo com o infame slogan estava colado no vidro traseiro de uma kombi caindo os pedaços em frente a janela de seu pequeno bazar...

Corria o ano de 72 ou 73, auge da ditadura militar, com repressão sangrenta a todos os que se opusessem a ela.

Confesso que na época não entendi muito bem a observação aguda de meu avô.

A mim, um guri de treze, catorze anos, soava bonito o slogan  "Brasil, Ame-o ou Deixe-o" ao lado de uma bandeira brasileira. 

Afinal, estávamos ainda eufóricos com a conquista da 'Copa de 70' no México com tantas manifestações de patriotismo e amor à "pátria amada, Brasil"...

Éramos, então, "noventa milhões em ação .  "Prá frente, Brasil" era a música favorita cantada a plenos pulmões por todos.

Não sei se meu avô sabia  das torturas e assassinatos de pessoas opositoras da ditadura militar já que havia censura total à imprensa e aos artistas.

Mas ele sabia, sim, o quanto era perverso usar de sentimentos e símbolos  tão caros a cada brasileiro para legitimar uma ditadura que cassara o registro de seu PTB, mandatos de políticos e exilara Jango e Brizola, entre tantos.

Acho que mesmo sem entender muito as razões de meu avô quanto a gravidade do momento político o que me marcou mesmo foi a sua indignação (junto com a de meu pai) com os militares, apelidados de 'gorilas' pelos petebistas e comunistas.

Hoje, quando vejo a grande mídia ocultando e condenando manifestações democráticas (sem censura) e políticos usando slogans muito parecidos aos da ditadura me vem a mesma indignação que senti em meu avô e meu pai.

E me consola saber que minha companheira e meus filhos também  tenham a mesma indignação junto com milhões de brasileiros. 

Porto Alegre, 07 de setembro de 2016.

Edu Cezimbra